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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Não sei porque ainda me espanto...

Há uns meses atrás, o DCE da UFRGS empreendeu (ou empreende?) uma ofensiva contra o fornecimento de copos descartáveis para suco no RU por razões ambientais. (Não vou julgar isso. Na verdade, detesto copos descartáveis. Ainda mais na hora de tomar cerveja).

O que me não chega a ser surpreendente, mais uma vez, é que a iniciativa bate na trave. Querer impedir que o RU sirva suco em copo descartável é uma causa muito nobre, mas não porque o copo é descartável - em primeiro lugar -, mas porque aquele suco certamente transcende qualquer noção de cancerígeno que qualquer um de nós tem.

domingo, 30 de novembro de 2008

Direito à opinião

Como tudo que é muito bonito na teoria, o direito à opinião, na prática, gera transtornos.

Acredito que toda manifestação é válida, contanto que seja pertinente. A bola da vez, em Porto Alegre, é o Pontal do Estaleiro, investimento que prevê a construção de prédios altos e de uma área comercial aberta ao público na orla do Guaíba.

Eu tenho opinião formada sobre o assunto. E, com restrições, ela é favorável ao projeto. Ter opinião é saudável.

O problema surge quando pessoas que moram longe do local reivindicam para si o direito de escolher se a construção deve sair ou não. Chega a ser patético ver o pessoal do Bom Fim ou da Bela Vista decidindo, das suas poltronas, se o Pontal deve ser erguido ou não. Eesta questão deve ser definida por quem está no seu escopo: os moradores da região, arquitetos, engenheiros e ambientalistas. Pessoas como eu não devem ter a pretensão de decidir se o investimento se dará ou não: ao tomar para mim este direito, retiro-o, na mesma proporção, de quem será diretamente afetado pela obra e de quem tem conhecimento de causa sobre a questão: os verdadeiros interessados pelo futuro do Estaleiro.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O espetáculo da democracia (?)

Há muito o voto deixou de ser um direito para se tornar um castigo.

Chegamos perto de mais uma eleição e são poucos aqueles que têm convicção em algum candidato. Ou se vota em fulano por ser o candidato menos pior, ou se vota em beltrano para tirar sicrano do segundo turno e eleger a Yoda.

Talvez eu apele mais uma vez para o voto nulo. Mas não seria por protesto, nem por qualquer outra razão melodramática. Não acredito no poder do voto. Não é através de eleições que o Brasil mudará.

Mas, posta de lado minha apatia, as eleições continuam sendo uma festa. E, como toda festa, tem música alta. Que fiz eu para merecer um carro-de-som da Maria do Rosário passando nos finais-de-semana de manhã perto de casa, impondo a barulheira acima do meu sono?! E assim é também com Manuela, Fogaça, Onyx... Quem esses sujeitos acham que são pra colocar suas pretensões eleitoreiras acima do bem-estar do eleitor?!

Não é de surpreender o descaso dos políticos com o país: se antes mesmo de eleitos já nos desrespeitam assim, imagine quando assumirem o cargo...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Pelo fim da CPMF

Não sou de ficar fazendo propaganda aqui no blog; mas, neste caso, a causa é tanto justa quanto séria.
Não deixem de participar do abaixoassinado da FIESP: http://cpmf.fiesp.com.br/.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Nihil Estudantil

Desde a Ditadura Militar, o movimento estudantil vem tristemente definhando por meio de suas próprias mãos. A adoção de posturas e atitudes completamente disassociadas dos nossos dias, torna-o cada vez menos atraente para os estudantes que, ano a ano, ingressam na Universidade.

As causas são muitas; e seria entediante citá-las uma a uma. Concentremo-nos então nas que, pela minha ótima, se avultam como as principais.

O Movimento Estudantil, político por natureza, tem se tornado, desde há muito, antro de partidos políticos e de ideologias salvadoras. Num contexto em que os Estados Unidos financiava o cerceamento à liberdade, a tortura e todo tipo de barbárie em nosso país, fazia bastante sentido recorrer ao outro lado da balança: o marxismo. Desde então, o fetiche por Marx tem declinado gradativamente em nossas rodas intelectuais e políticas sérias. Outros, no entanto, continuam se apegando aos seus preceitos arcaicos e de pouca contextualização à nossa realidade. Na verdade, não se apegam ao marxismo coisa nenhuma: se apegam àquilo que lhes venderam como sendo marxismo e, deslumbrados, acabam por comprar gato por lebre. A cooptação é menos estudantil e mais partidária. Há programas a serem seguidos que prevêem desde os pontos iniciais até como se organizará a sociedade pós-revolucionária na ditadura do proletariado. (Alguém conhece um proletário?) E o caráter estudantil do movimento? Se limita a causas singelas que servem mais para fazer propaganda de ideologia e partido do que para o fim que elas se destinam. A maioria dos estudantes, sensatos, fogem dessa lavagem cerebral, naturalmente.

A falta de foco das ações são outra grave falha, decorrente ainda da primeira. Um protesto pela mudança da privada de um banheiro tem que ser necessariamente acompanhado de críticas ao governo, ao FMI e às políticas neoliberais. Qual é a dificuldade de manter-se fiel a um objetivo e persegui-lo até o fim? Nenhuma. O problema é que a desonestidade da luta não se deixa suprimir tão facilmente. O objetivo do protesto é, antes de mais nada, reafirmar o "fora Bush, fora FMI", salientar o discurso. São ações metafísicas, não práticas. Indolentes. A cara do nosso movimento estudantil.

Os métodos empregados são ainda mais patéticos. Palavras de ordem, musicas-clichê (e o que não é clichê no movimento estudantil?), apitos, tambores, barulho, baderna. Pouco além disso. Falam em ações afirmativas. E as ações positivas, onde estão? Onde está a atitude e a realização? Ficam no discurso e mais nada.

Diante de um panorama desses, é normal que o estudante não se sinta atraído pelo movimento estudantil, pois não se sente representado por ele. Os ideais defendidos pelo movimento estudantil, não são os ideais dos estudantes, os problemas que o movimento estudantil combate, não são os problemas dos estudantes. O movimento estudantil não fala a língua do estudante, a língua da mudança, da verdadeira revolução, ele fala a língua dos partidos operários das fábricas estatais eslavas.

E há, sim, necessidade de um movimento estudantil forte, pois sempre existirão estudantes com anseios, opiniões e necessidades. O que se faz mistér é um exercício de auto-crítica das próprias organizações estudantis. Elas tem que fazer uma análise sobre a sua trajetória, sobre suas raízes, uma verdadeira regressão aos seus primórdios, pois só assim entenderá, honestamente, o tamanho do papel que lhe é conferido, que é muito maior do que o programa de qualquer partido político.

Criatividade estudantil

Foi só eu que senti uma certa dose de macaqueamento na recente tomada da reitoria da UFRGS?

terça-feira, 5 de junho de 2007

Megafone

Por causa do post de ontem, vieram me chamar de conservador hoje.

Tudo bem, o que escrevi ontem sobre o imbecil de megafone deve ser encarado como um desabafo, um rompante de fúria dirigido mais propriamente ao megafone do que ao asno - com todo o respeito aos animais - que o empunhava.

Quanto à taxa do vestibular, mandei um e-mail para a COPERSE - o órgão da UFRGS que tradicionalmente organiza o concurso - inquirindo quanto aos custos totais da última seleção.

Nada melhor do que fatos para descadeirar sandices e asneiras.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Consciência crítica estudantil

Ao cair da noite, na frente da Faculdade de Educação, havia um boçal segurando um megafone que, certamente inconsolável por não conseguir controlar o furor anal de sua progenitora, dava mostras de plena estupidez. Meio solitário, porque a esta altura o resto da esquerda festiva já devia ter ido encher a cara de cachaça no Mariu's, praguejava contra o custo da taxa de inscrição do vestibular: R$ 100,00.

Tá certo, não é dos preços mais baratos. Mas o sujeito aí parece esquecer que o processo seletivo, realmente, é caro de ser empreendido. Se ele convencesse os seus colegas a trabalharem de fiscais voluntariamente no vestibular, sem receber o polpudo "auxílio" com que são remunerados, a inscrição para o processo seletivo, certamente, sairia mais barata; ainda, se ele topasse que fosse extinto o auxílio àqueles que não podem pagar, obrigando com que a taxa de inscrição fosse única e universal, o valor desta certamente cairia também.

Mas, se ele não quer que nenhuma destas duas coisas aconteçam - e ele não quer! -, então ao menos que páre de protestar contra uma situação que ele mesmo acaba apoiando. Que desafogue os seus arroubos político-românticos na privada, não nos meus ouvidos.