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sábado, 11 de julho de 2009

Go, atheists!

Não sei se ao escrever este post o Marcus já tinha conhecimento do acampamento infantil para proliferação de ideias ateístas que o Richard Dawkins está apoiando para o final deste mês.

O acampamento de verão é voltado para crianças entre oito e dezessete anos que, durante quatro dias, farão pacto com o demônio serão instruídas em ceticismo racional, filosofia moral, ética e evolução. Uma das atividades propostas é "O desafio do unicórnio invisível", no qual os participantes serão desafiados a provar que unicórnios não existem. Os pimpolhos que conseguirem tal feito serão galardoados com uma nota de dez libras com direito a efígie do Darwin e assinatura do Dawkins.

Ao estimular as crianças a pensarem por si mesmas e questionarem fenômenos para os quais a única prova é o argumento de autoridade, esta iniciativa acerta em cheio no que mais falta para a popularização das ideias ateístas (pelo menos no Brasil): organização e ativismo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Fórum da Liberdade - considerações

O Fórum da Liberdade é, muito a grosso modo, uma espécie de Fórum Social Mundial da direita. Embora prefira o enfoque do primeiro, não dá para negar que boa parte das palestras do primeiro são mais para adular os ouvidos dos participantes, dizer o que eles querem ouvir. Pelo menos, no Fórum da Liberdade isso acontece apenas em boa parte das palestras e não na totalidade delas, como no evento da esquerda. Será que um grupo de empresários engravatados seria recebido de forma tão cordial no Fórum Social Mundial quanto o foi a delegação de uma entidade do movimento afro no Fórum da Liberdade?

Duas palestras me impressionaram especialmente. A exposição de Charles Murray - doutor em Ciência Política pelo MIT - sobre o impacto do estado de bem-estar social sobre as perspectivas e motivações do indivíduo foi, além de original, muito inspiradora; ver o Demétrio Magnoli solapar impiedosamente a existência de algo chamado "raça" foi impagável. Pretendo divulgar os vídeos com essas palestras aqui assim que estiverem no ar.

Foi a segunda vez que participei do evento e não me lembro se na outra edição me ocorreu a seguinte preocupação. O Liberalismo, ao contrário do que muito se diz por aí, não é o paradigma ideológico que privilegia os ricos em detrimento dos pobres. O liberal puro - não esse bando de parasitas que ficam mendigando favores do estado - crê na liberdade individual, de pensamento, de iniciativa como a ferramenta de transformação da sociedade. Ele não acredita que o indivíduo é uma decorrência do Estado, mas sim na existência deste último como tendo a finalidade fundamental de garantir a sua liberdade. Ou seja: o liberal recusa totalmente a tutela do Estado. Ninguém sabe melhor do que eu o que é melhor pra mim mesmo.

Sendo, então, o Liberalismo uma doutrina sem classe - tanto que é mais fácil achar um rico comunista do que um pobre comunista - ele deve considerar seriamente os problemas da sociedade. E a pobreza é um deles. Embora boa parte dela surja da má gestão que o Estado dá aos recursos públicos e que, portanto, poderia ser remediada com a aplicação de idéias liberais, não é possível nem desejável esperar que o Brasil se torne um estado liberal para extinguir este problema. E este, para mim, é o grande desafio dos liberais: mostrar para a sociedade que é possível exterminar a miséria pela via da liberdade, sem recorrer ao lento, ineficiente e corrupto estado.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Fórum da Liberdade

Hoje começa a XXII edição do Fórum da Liberdade. Embora os palestrantes não tenham me entusiasmado muito (sempre tem uns CEOs de empresas gringas e membros folclóricos da extrema direita gaudéria - ou seja, gente que não tem nada a me acrescentar), o tema é bem instigante: Cultura da Liberdade.

E o melhor é que eu consegui uma inscrição de cortesia. \o/

domingo, 18 de janeiro de 2009

Arbitrariedade

Tem muitos blogs por aí debochando daqueles que ficaram insatisfeitos com a reforma ortográfica. Nem pra melhor, nem pra pior, trata-se de um conjunto arbitrário de alterações sobre a forma de grafar em português, nada mais do que isso.

Como foi uma mudança feita na base do canetaço - sem que houvesse nenhuma demanda real por ela, ou mesmo uma diretriz norteadora teórica para o projeto - é natural que todos os elogios ou críticas que surjam a ela sejam também arbitrários.

Já li de tudo por aí, tanto a favor quanto contra. O que se constata é que, no fundo, todas as opiniões são baseadas no gosto individual de quem critica - uma forma bem subjetiva de se basear um argumento.

Num blog, dizem que o trema é o acento mais antipático da língua portuguesa. Eu, por exemplo, deixo esta posição para o til. Aliás, para mim, o trema era o sinal mais bacana da língua de Camões. Utilizar a antipatia do trema como argumento, pesa mais contra o seu autor do que contra o próprio acento - da mesma forma que se valer de lisonjas para defendê-lo.

Noutro blog, o autor conclamáva-nos à resignação diante da reforma com uma retórica do tipo: "Os brasileiros terão que mudar a grafia de menos de 1% de suas palavras, enquanto os portugueses terão que mudar 3%". Um argumento tão bom que me levou a considerar não trocar mais de carro, afinal eu tenho um Uno 92, enquanto o meu vizinho não tem automóvel algum. E os "argumentos" se seguem interminavelmente nesta tônica.

O que fica claro é que a reforma carece de fundamentação teórica, visto que não há elementos dentro da própria língua que advoguem a favor ou contra ela. Dela só saem perdendo os entusiastas do trema, do hífen e dos ditongos abertos acentuados. Aos demais, as batatas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Antes fosse urina...

Algumas universidades empregavam um sistema que parece bem... medieval: os alunos eram pagos diretamente pelos professores. Na cidade de Bolonha, os alunos contratavam e demitiam os professores, multavam-nos por faltarem às aulas sem justificativa ou por chegarem atrasados, e até por não responderem às perguntas difíceis. Se a palestra não era interessante, indo devagar demais, ou rápida demais, ou simplesmente não era alta o suficiente para ser ouvida, eles vaiavam e jogavam objetos no professor. Por fim, em Leipzig, a universidade viu a necessidade de promulgar uma lei contra atirar pedras em professores. Mesmo em 1495, um estatuto alemão ainda proibia explicitamente qualquer pessoa associada com a universidade a encharcar os calouros com urina.

(In MLODINOW, Leonard. A janela de Euclides. p. 71.)


Conheço alguns professores que se dariam muito mal caso tivessem tido a sorte de viver durante a Idade Média... Pelo menos os trotes se aperfeiçoaram: certamente muitos bixos prefeririam ser “encharcados com urina” a nadar na água de peixe misturada com bálsamo alemão.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

LHC

(...)
Quando perguntado se seria capaz de escolher entre o LHC ou o programa espacial, Hawking disse que seria o mesmo que escolher "qual dos filhos escolher para o sacrifício".

"Tanto o LHC como o programa espacial são vitais para que a raça humana não se embruteça e, finalmente, morra", afirma o físico. "Juntos, eles custam menos do que 0,1% do PIB mundial."

"Se a raça humana não puder sustentar isso, não merece o epíteto 'humana'", comparou Hawking.
(O texto completo pode ser lido aqui.)

BUSCAAAA!!!

Fico só imaginando o que ele não teria dito se não estivesse numa cadeira de rodas...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Elitismo?

Sabe quando levamos por anos uma ideiazinha na cabeça sem entretanto formulá-las de forma satisfatória e, um belo dia, a encontramos impecavelmente apresentada?

Meus alunos relativistas se sentem valorizados por uma teoria niveladora que põe sua banda de rock favorita em pé de igualdade com Bach e Mozart; mas repare como uma hierarquia qualitativa lhes volta correndo quando, em nome da coerência, você sugere que sua banda de rock favorita também não pode ser melhor que os Backstreet Boys (…). As velhas dicotomias entre o que é elitista e o que é popular, entre alta e baixa cultura, podem estar mesmo corrompidas por privilégios injustificáveis, mas sem uma nova linguagem de mérito para as artes os pós-modernistas são forçados a viver numa paisagem achatada onde Barry Manilow e Beethoven são iguais.


Stephen T. Asma na revista americana The Chronicle of Higher Education



Citação copiada de P.Q.P. Bach, flor baguala no meio do manantial virtual.