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domingo, 12 de abril de 2009

A Via Liberal

O último post gerou bastante polêmica, boa parte da qual deriva da minha incompetência: fui muito vago, de tal forma que, ao que escrevi, podem caber mil interpretações.

É hora de botar pingos no is, por assim dizer. Começarei pela idéia de Estado e como compreendo sua construção, concluindo com a elucidação da expressão "via liberal".

O Estado é invenção dos homens, dos indivíduos. Ele é posterior a eles e não anterior. Surgiu porque era cômodo ao Homem, que, coletivamente, poderia assim se defender - fosse das feras, das pragas, da fome - melhor do que individualmente. Portanto, o Estado é um facilitador, não uma divindade. As relações materiais entre os indivíduos se dão por meio de trocas - a divisão do trabalho. Quando os indivíduos acham que determinado serviço ou bem não deva ser produzido por alguma razão pelos agentes, pode-se fazer um acordo para que esse bem seja fornecido pelo Estado. Assim, o Estado teria a função de garantir que as trocas fossem feitas de forma voluntária, de garantir a segurança e a propriedade dos seus cidadãos e, de certa forma, intermediar a produção e circulação de certos bens.

Além disso, há coisas que os indivíduos costumam achar positivas para todo corpo da Sociedade: acesso à saúde, à alimentação e à educação, por exemplo. Ninguém nega que as pessoas devam ter oportunidades semelhantes. E a única maneira possível de garantir isso é através do Estado. Imputar ao Estado este papel não implica, no entanto, torná-lo um empreendedor. Falar em acesso universal à educação, à saúde e à alimentação não implica um estado dono de escolas, hospitais e fazendas; quer dizer somente que o Estado deve, de alguma forma, garantir acesso universal a esses elementos. Ora, se há vagas em escolas privadas, por que o governo deve empreender a construção de novas escolas públicas? Construir e, principalmente, manter prédios demanda tempo e recursos públicos - isso sem falar no corpo burocrático que precisa ser criado para administrar o estabelecimento. Não é mais simples e barato o Estado matricular os alunos mais pobres nas vagas ociosa já existentes no sistema privado de ensino? O mesmo argumento vale para acesso à saúde e outros serviços.

Em suma, por "Via Liberal" entendo o modo de gestão pública na qual o Estado ao invés de empreender serviços, protege o cidadão, garante o cumprimento dos contratos e financia o acesso dos mais necessitados aos serviços fundamentais (o ról de serviços assim considerados pode variar de sociedade para sociedade).

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Fórum da Liberdade - considerações

O Fórum da Liberdade é, muito a grosso modo, uma espécie de Fórum Social Mundial da direita. Embora prefira o enfoque do primeiro, não dá para negar que boa parte das palestras do primeiro são mais para adular os ouvidos dos participantes, dizer o que eles querem ouvir. Pelo menos, no Fórum da Liberdade isso acontece apenas em boa parte das palestras e não na totalidade delas, como no evento da esquerda. Será que um grupo de empresários engravatados seria recebido de forma tão cordial no Fórum Social Mundial quanto o foi a delegação de uma entidade do movimento afro no Fórum da Liberdade?

Duas palestras me impressionaram especialmente. A exposição de Charles Murray - doutor em Ciência Política pelo MIT - sobre o impacto do estado de bem-estar social sobre as perspectivas e motivações do indivíduo foi, além de original, muito inspiradora; ver o Demétrio Magnoli solapar impiedosamente a existência de algo chamado "raça" foi impagável. Pretendo divulgar os vídeos com essas palestras aqui assim que estiverem no ar.

Foi a segunda vez que participei do evento e não me lembro se na outra edição me ocorreu a seguinte preocupação. O Liberalismo, ao contrário do que muito se diz por aí, não é o paradigma ideológico que privilegia os ricos em detrimento dos pobres. O liberal puro - não esse bando de parasitas que ficam mendigando favores do estado - crê na liberdade individual, de pensamento, de iniciativa como a ferramenta de transformação da sociedade. Ele não acredita que o indivíduo é uma decorrência do Estado, mas sim na existência deste último como tendo a finalidade fundamental de garantir a sua liberdade. Ou seja: o liberal recusa totalmente a tutela do Estado. Ninguém sabe melhor do que eu o que é melhor pra mim mesmo.

Sendo, então, o Liberalismo uma doutrina sem classe - tanto que é mais fácil achar um rico comunista do que um pobre comunista - ele deve considerar seriamente os problemas da sociedade. E a pobreza é um deles. Embora boa parte dela surja da má gestão que o Estado dá aos recursos públicos e que, portanto, poderia ser remediada com a aplicação de idéias liberais, não é possível nem desejável esperar que o Brasil se torne um estado liberal para extinguir este problema. E este, para mim, é o grande desafio dos liberais: mostrar para a sociedade que é possível exterminar a miséria pela via da liberdade, sem recorrer ao lento, ineficiente e corrupto estado.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Fórum da Liberdade

Hoje começa a XXII edição do Fórum da Liberdade. Embora os palestrantes não tenham me entusiasmado muito (sempre tem uns CEOs de empresas gringas e membros folclóricos da extrema direita gaudéria - ou seja, gente que não tem nada a me acrescentar), o tema é bem instigante: Cultura da Liberdade.

E o melhor é que eu consegui uma inscrição de cortesia. \o/

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crise & Elitismo

Comunismo é e sempre foi coisa de elite. Afinal, teorizar sobre a exploração e a miséria só é possível quando se tem tempo livre, ocioso; e - convenhamos - ócio é um privilégio mais característico do explorador do que do explorado.

Essa turminha que fica secando o capetali$mo, vibrando a cada pregão que fecha em queda, - os guardiões das boas-intenções - parece esquecer que, quando uma dessas crises estoura, quem mais se fode são os pobres.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

LHC

(...)
Quando perguntado se seria capaz de escolher entre o LHC ou o programa espacial, Hawking disse que seria o mesmo que escolher "qual dos filhos escolher para o sacrifício".

"Tanto o LHC como o programa espacial são vitais para que a raça humana não se embruteça e, finalmente, morra", afirma o físico. "Juntos, eles custam menos do que 0,1% do PIB mundial."

"Se a raça humana não puder sustentar isso, não merece o epíteto 'humana'", comparou Hawking.
(O texto completo pode ser lido aqui.)

BUSCAAAA!!!

Fico só imaginando o que ele não teria dito se não estivesse numa cadeira de rodas...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Leite 500ml

Quem me conhece há algum tempo sabe que uma das maiores frustrações da minha vida era o fato de não existirem, no Brasil, embalagens de leite menores do que 1L. Quem mora sozinho sabe que nem sempre é possível consumir um litro de leite dentro da validade.

Tudo mudou quando, ontem, passeando lépido e contente pelas gôndolas do Zaffari, me deparei com a maravilha abaixo:




Atendendo a uma antiga necessidade dos solteiros brasileiros, a Piá lançou no final do mês passado algo que há muito já existe nos países civilizados Estados Unidos e na Europa: leite em embalagem de 500ml.

Já pensou tomar sucrilhos dentro da própria caixinha? :D

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Malthusiano, eu? Imagina...

Junk food, celulares, cigarro, usinas nucleares, conservantes, álcool, corantes, microondas, drogas. A humanidade ainda vai agradecer pelos malefícios que eles causam.

Em uma época em que a moda é ser saudável, vegetariano, ir pra academia todos os dias, e em que a única uma das metas do ser humano é viver tanto tempo quanto for possível, esses grandes vilões do nosso cotidiano nos prestam um serviço fundamental: impedem que todos os homens vivam até os 150 anos.

Com as taxas de natalidade declinantes em todo globo e o aumento incessante da expectativa de vida até mesmo em países de terceiro mundo, se não houvesse estes elementos compensatórios, nosso planeta estaria fatalmente condenado à exaustão de seus recursos por uma população de velhos caducos idosos.

E aí, já comeu o seu Speed com Coca litrão hoje? :D

sábado, 10 de maio de 2008

Diversificando

Insatisfeito em publicar asneiras em um só lugar, estou escrevendo também para o Econosheet. Agora não preciso mais encher o saco de vocês falando sobre economia aqui. :D

Vão lá me prestigiar, paspalhos: http://econosheet.blogspot.com/ ;D

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Uma imagem...




Ou seja, só se estuda Labini no Brasil. Isso explica muita coisa.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Inusitada gratidão

Jamais imaginei que chegaria à conclusão absurda de que os bancos fazem com que eu economize. Soa estranho, controverso, mas é a mais pura verdade.

Sexta-feira passada, eu tinha em cash R$ 110,00. O final de semana foi suficiente para que eu dizimasse essa quantia em besteiras (?) completamente dispensáveis (?), como cerveja, almoço fora e futebol.

Se o dinheiro estivesse guardado no Banco do Brasil ou no Banrisul, seria mais complicado de gastá-lo ou perdê-lo de forma tão perdulária. São várias as razões que concorrem para tal. Citemos algumas:
  • o dinheiro em papel-moeda é patético. Ele é uma representação muito simples de algo muito valioso.
  • o dinheiro em papel-moeda vai se decompondo gradativamente em metal-moeda, cujo valor psicológico e conotativo é, inegavelmente, bem menor.
  • o dinheiro em papel-moeda é a liquidez em excelência: qualquer pessoa aceita, em troca de qualquer coisa em qualquer lugar.
Creio que estas são algumas das razões que, hoje, fizeram com que a minha fúria contra os bancos arrefecesse um pouco.

Obrigado Banrisul. Obrigado Banco do Brasil.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Mas-Colell

Abandonei um pouco os exercícios de Contabilidade Social para disponibilizar dois links que podem ser de muita utilidade aos economistas que freqüentam o blog.

Num lance de tremenda sorte, catei o "Microeconomic Theory", de Mas-Colell e Whinston, - com direito a livro de respostas e tudo, no Rapidshare (bendito Rapidshare!). Uma ótima pedida para quem está farto de Pindycks e Varians da vida. ;D

LINKS:
Microeconomic Theory
Microeconomic Theory Solution Manual